quarta-feira, 21 de setembro de 2011






Cantinho da r.E.f.O.r.M.a.

Língua não se congela. Ela é viva, pulsante. Palavras e expressões em voga numa época caem em desuso em outra. Até mesmo tempos verbais são criados e eliminados, e não há sábios ou academias que possam deter a dinâmica histórica de uma língua.
Como muitos já sabem, a partir do dia 1º de janeiro de 2009, passou a vigorar no Brasil e em todos os países da CLP (Comunidade de países de Língua Portuguesa) o período de transição para as novas regras ortográficas que se finaliza em 31 de dezembro de 2012.
Pensando nisso, criamos o Cantinho da Reforma, em que serão abordados diversos tópicos relativos às alterações feitas em nossa língua.
Uma dica interessante: procure usar o que a reforma traz de novo. Fazendo esse uso, colocando-o em seu dia a dia, você evitará a terrível “decoreba”, visto que se tornará um processo natural!
Para inaugurar nosso Cantinho, trazemos abaixo uma das mudanças nas regras de acentuação.

Confira: Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba).

Exemplos:



Como era
Como Fica
asteróide
asteroide
bóia
boia
colméia
colmeia
epopéia
epopeia
heróico
heroico
idéia
ideia
platéia
plateia








Contagem Regressiva: Faltam 16 meses para vigorar a rEfOrMa!!!


Confira também o vídeo abaixo:





Por Marcelle Farah
Letras - Português / Inglês
Liberdade


Com que liberdade no ar
Os pássaros em revoadas
Estão a voar
Enquanto o homem
Em uma gaiola está
Com que liberdade no arrebol
Exala os seus raios o sol
A iluminar o céu
Enquanto nos olhos do homem
Está o embaçado do véu
Será que pode o homem estar
Tão livre como as ondas do mar?
Não! Porque do mar resta apenas
O vazio da imensidão
Porque os gritos calam a sua voz
E por isso, o que há para todos nós
É pão e circo!
Mas o homem diz: eu não desisto!
Liberdade!
Liberdade!
Liberdade!
Será que ela existe de verdade?
Talvez...
Talvez um dia seja realidade.

Patrícia Vieira
Letras - Português / Inglês

Minha vocação é ser LivRe...
Revil... VRiLe... ILerv... VreLi...



Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer...
Devia ter me importado menos com problemas pequenos; ter morrido de amor...”
A letra satírica de “Epitáfio” possui uma característica da poesia, em geral, feita sobre um vivo como se este se tratasse de um morto. Devemos nos atentar para a conclusão do autor: somos livres.
O poeta não lamenta nem chora o tempo perdido, mas constata, no seu cotidiano, que poderia ter feito e sentido mais, mais, e... Mais; enxerga que deveria ter amado mais, se doado mais nas dores do necessitado, ter chorado mais com os que sofrem e, até mesmo, complicado menos o seu modo de conduzir a vida.
Futuros professores, somos bípedes!
Somos bípedes e livres para pensar, lutar e escrever.
É fundamental que tomemos consciência de que o dom da liberdade de escrita nos impulsiona a combater as desigualdades de nossa sociedade contemporânea.
Que nossa formação, nesta casa, possa sempre nos fortalecer com novos saberes, e que, no silêncio do coração, digamos:
“Devo amar mais, arriscar mais, e até errar mais;
Devo complicar menos... E ver o sol se pôr”.

O mês de Setembro traz consigo o Dia da Independência do Brasil. Não poderíamos, portanto, deixar de falar sobre liberdade. Assim, essa é a mensagem que a Equipe Bípedes deixa para você.



Para estrear o Frente a Frente, contamos com a ilustre participação do Professor Ozanir Roberti Martins. Confira abaixo a entrevista!

Bípedes: Em vista do feriado do dia 7 de Setembro, não podemos deixar de pensar na independência do nosso país, que está intrinsecamente relacionada à liberdade política, econômica e social que obtivemos desde então.  Não podemos esquecer também a nossa língua: falamos o idioma português por causa de Portugal. Contudo, é nítida a diferença existente entre o português realmente português e o brasileiro. Como o senhor enxerga essa emancipação, digamos assim, da nossa língua? Como o senhor vê essa questão de língua e liberdade?
Prof. Ozanir Roberti: Na verdade, eu penso que hoje a situação histórica até se inverteu. Nós temos uma língua que buscou a liberdade de Portugal. Depois da independência, a própria literatura encontrou caminhos para fazer com que a nossa língua tivesse contornos iguais aos de Portugal, mas que rompesse de vez em quando esses limites. É o caso dos poetas românticos, como, por exemplo, Gonçalves Dias que começa a utilizar expressões indígenas. É o caso de romancistas como Alencar, que, aos poucos, vai fazendo suas obras terem palavras vindas da cultura indígena, que começa a colocar o pronome de maneira diferente de Portugal. Para a nossa língua, a independência, sem dúvida, é uma espécie de marco, um marco que traz uma certa incorporação de novidades linguísticas em relação a Portugal, diferenciando o Português daqui do de Portugal. Porém, de lá para cá, com o passar dos anos, a mudança é realmente muito maior. Nós temos um vocabulário muito mais amplo que o de Portugal; principalmente pela aquisição de palavras de origem africana, as próprias palavras indígenas que eu já citei, e especialmente pela chegada de imigrantes não portugueses que trouxeram inúmeras palavras que acabaram incorporadas ao nosso idioma. Além disso, há um outro fator que é muito interessante. Talvez essa “frouxidão” na formação do português do Brasil tenha revelado um espírito altamente criativo. Então, nós criamos palavras com muito mais facilidade que o português de Portugal, e hoje o que se tem é uma atração muito maior do estrangeiro pela Língua Portuguesa do Brasil do que pelo Português de Portugal. Dessa forma, o nosso português seria o que está na moda, enquanto o de lá é bem menos atraente. Então, isso é, na verdade, uma forma de libertação. Não uma libertação que rompa os laços. Nós continuamos usando a língua portuguesa; mas uma língua portuguesa com um colorido próprio e, além disso, com uma força que parece acompanhar o potencial econômico do nosso país.

Bípedes:  “A norma culta é um instrumento de dominação das elites.” O que o senhor acha?
Prof. Ozanir Roberti: Não é verdade. A norma culta talvez seja mais difícil de ser conhecida. Logo, a elite, quase sempre, tem mais oportunidade de conhecê-la. Contudo, há muita gente de uma elite no Brasil hoje que desconhece completamente a norma culta, a qual, na verdade, deveria ser um instrumento posto à disposição de todos os cidadãos, para que tivessem os mesmos direitos. Se isso não ocorre, é porque a educação no Brasil ainda é muito incipiente, mas eu acredito que seja um estágio por que nós estamos passando, e que ela, no futuro, ao contrário do que muita gente pensa, será bem mais espalhada por aí.

Bípedes: Como o domínio da língua culta pode contribuir para o futuro do país?
Prof. Ozanir Roberti: Pode contribuir principalmente no avanço científico e tecnológico. Não há como negar que toda a parte de apoio intelectual, acadêmico, precisa da norma culta; a descoberta cientifica e o ensinamento técnico-científico dependem da norma culta. Então, o quanto mais nós conseguirmos desenvolver essa parte do ensino, especialmente na área tecnológica, mais nós vamos depender da precisão, da exatidão que se faz exatamente através da norma culta. É uma questão de necessidade real para o desenvolvimento tecnológico do país. Nós, na verdade, estamos muito atrás de países como Japão, Noruega, Coreia; é como se tivéssemos dois Brasis, o Brasil que consegue acompanhar, que é o Brasil de uma minoria, e aquele Brasil da grande maioria, que está defasado, e defasado tecnologicamente, porque está defasado linguisticamente. 

Bípedes:  A Internet está empobrecendo a linguagem culta?
Prof. Ozanir Roberti: Não. De maneira alguma. O que você tem na internet de diferente é apenas a ortografia. O garoto que escreve abs não lê abs, ele lê abraços. Então, a língua é a mesma, o que muda é a ortografia. Da mesma forma, temos aquela menininha que faz um elogio e coloca você é D+. Eu não leio aquilo como uma letra e um sinal de mais; eu estou lendo a palavra demais e entendendo que, quando ela diz você é D+, está fazendo um grande elogio. Assim, a língua da internet é a mesma língua que nós temos no nosso dia a dia. Ela tem uma aproximação mais real com a língua, não se discute isso, mas esse pessoal que acha que aquilo é uma língua diferente está totalmente errado. O que se tem é um registro diferente da mesma língua.

Bípedes:  Professor, qual seria a  mensagem para nós estudantes de letras,  no início de mais um período de formação?
Prof. Ozanir Roberti: A mensagem que gosto de deixar é sempre positiva: estudem. Saber não ocupa lugar; quanto mais vocês souberem, mais vocês estão preparados para as mudanças do futuro. E não tenham dúvida, a rapidez com que o mundo está mudando vai exigir que vocês estejam sempre preparados para essas alternativas. Vocês não devem se prender somente àquilo que querem, àquilo de que gostam; vocês têm de estar preparados para o que o mercado vai exigir de vocês. E, na nossa área, que é a da linguagem, os horizontes são muito amplos, cada vez mais amplos.

“Enchente”
Edição - Agosto/2011

Avisaram-no que uma grande enchente aconteceria. Viu  seus parentes e vizinhos  arrumarem desesperados suas mudanças. Em busca de salvarem-se, gritavam  e dançavam com seus pés  na água e na lama. O tempo passou, e a grande desordem instalou-se em cada semblante. Roupas, fotos, panelas, livros, choro de criança, carros: desespero. A água inundava as casas pelas portas.
Distraiu-se observando a todos. Inerte, seu pensamento parou. Encaminhou-se para seu quarto, deitou em sua cama, agarrou-se à sua fraqueza. A água subia cada vez mais rápido e as paredes começavam a desmoronar. O medo de abandonar sua casa, de deixar para trás aquele mundo e recomeçar tudo novamente o fez morrer. Afogado em sua covardia, em seus sonhos.

Autora: Alexandra Periard 
Letras - Português / Literaturas

Sustentabilidade
Edição - Agosto/2011

Em um mundo em que o sistema capitalista impera, onde a ganância e o poder estão em primeiro lugar, ao invés da vida, pessoas se deparam com o dilema entre o consumismo exacerbado e a preservação ambiental.
   Diante de crises econômicas, terremotos, tsunamis e tantos outros males políticos e ambientais, nota-se que o consumo desenfreado não é uma boa opção.
   A sustentabilidade é um meio viável de se produzir e utilizar atributos da natureza sem degradá-la tanto, mas, para isso, é preciso haver planejamento e conscientização. O homem deve compreender que a biodiversidade existente deve ser sua aliada para se ter uma qualidade de vida melhor e não algo a ser explorado descomedidamente.
  Em um sistema de produção em larga escala, em que se preza a agilidade, as ações para um planeta melhor podem não trazer resultados imediatos. Entretanto, é preciso haver equilíbrio entre desenvolvimento e meio ambiente, pois estas ações, a médio prazo, trazem relevantes mudanças positivas para a natureza e a economia.
  Uma boa prática para a preservação ambiental é desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ): seus alunos procuram reaproveitar sucatas de computadores para desenvolver outros aparelhos. Essa é uma das formas de se descartar objetos eletrônicos que não se quer mais e transformá-los em novas tecnologias, de forma sustentável, visto que estamos em uma era onde tudo é substituído cada vez mais rápido.
 Mesmo que a superprodução seja freada por algum tempo por conta da preservação ambiental, isso não significa frear o desenvolvimento, mas sim produzir com responsabilidade ambiental e social em prol de um mundo melhor.
  Caso continue a industrialização desmedida, o planeta e os seres que nele vivem sofrerão os impactos de ações irresponsáveis em busca do lucro descomedido.

Autora: Patrícia Vieira 
Letras - Português / Inglês

            Fedor da Cidade
Edição - Agosto/2011

Vejo um carro sujo         
De sabão e cera,   
Do sonho que deseja
Um capitalismo...   
Que vem da cerveja.
Embriagado,          
Suplicado,              
Vem em último     
O sorriso forçado, 
Do cidadão largado,   
Ameaçado,
Nocauteado.
Vivendo numa prisão
Igual ao zoológico
Que escapa da lógica.
Vive algemado,
Praticamente enjaulado.
O homem contemporâneo,
Que, principalmente,
Vive enganado.

Autor: Bruno Cesar
Letras - Português / Literaturas

Menino de Sonhar
Edição - Agosto/2011

           Entre um passo e outro
Desapareci daquele espaço.
Construindo um bom cenário,
Criei-me um personagem.

Lá,  não existiam problemas
Que não fossem resolvidos.
Para todo sol havia sombra,
E em toda sombra um alívio.

Uma pitada de querer,
Uma outra do destino.
Num minuto o herói,
Noutro, mero homem invisível.

EU era capaz. Como era possível?

Fui o Senhor do Tempo,
Percorrendo léguas em segundos,
Guiado pelos sonhos.
Era o Dono do Mundo.

Autor: Álvaro Marcel
Letras - Português / Literaturas

A ignorância é o maior desperdício
(Edição - Agosto/2011)
  
No atual mundo globalizado, onde a detenção da informação é considerada uma das principais ferramentas de promoção do desenvolvimento do indivíduo e da sociedade, a ignorância pode tornar-se o maior desperdício de energia.
 Primeiramente, quando se fala em desenvolvimento, ascensão e prosperidade, deve-se ter em mente que o caminho para se alcançar tais virtudes é a qualificação, que, por sua vez, só se pode ser obtida com um sistema de educação de qualidade, sistema esse em que o governo conceda às instituições de ensino respaldo para atuarem com eficiência no processo de formação de melhores cidadãos.
 Ainda discorrendo sobre o sistema de educação, pode-se dizer que, no que diz respeito a investimentos em recursos materiais e tecnológicos, que facilitam o aprendizado, o governo tem feito um admirável trabalho. Porém, sabe-se também que ainda há muitos desafios a serem enfrentados: a erradicação do analfabetismo e da evasão escolar, o investimento na qualificação dos professores, a melhoria no piso salarial dos profissionais da área de educação, etc.
 Por outro lado, ainda que o caminho para ascensão seja repleto de desafios, há pessoas que se esforçam e conseguem deixar de serem leigas, porém continuam sendo ignorantes pelo simples fato de serem conservadoras. São pessoas que detêm de muitas informações e experiências, mas não compartilham tais virtudes com seu próximo para a formação de uma sociedade mais culta.
  Diferentemente das pessoas leigas e ignorantes provindas das camadas sociais menos favorecidas que não puderam estudar pelo fato de terem tido que ingressar no mercado de trabalho precocemente para sustentar suas famílias, os ignorantes intelectuais são pessoas bem-sucedidas, porém fechadas para a socialização da informação, pois parece que, para elas, socializar é o mesmo que perder.
  Assim, enquanto houver um racionamento das informações e do conhecimento por parte daqueles que os detêm, o país estará desperdiçando todos os recursos investidos na formação e aquisição desses bens.

Autor: Edilson Nascimento
Letras - Português / Inglês